sábado, 21 de outubro de 2017

Saiba quais são os próximos passos da intervenção na Catalunha

O Globo

Em apenas uma semana, os ministros podem assumir região; Veja o que está previsto

MADRI — O conselho extraordinário de ministros da Espanha traçou, neste sábado, medidas concretas para a implementação do artigo 155 da Constituição, que permite intervenção no todo ou em parte dos poderes de uma região para forçá-la a “fazer cumprir” a legalidade. Na prática, esse artigo autoriza a destituição do governo atual da Catalunha, região que concentra um grande número de separatistas.

Abaixo, veja os próximos passos previstos para serem tomados pelas principais instituições do país, que podem fazer com que, em apenas uma semana, o governo central substitua temporariamente — até possíveis eleições — o governo regional catalão.

Mesa do Senado - Sábado, 21 de outubro
As medidas decididas pelo conselho de ministros neste sábado, dia 21, serão imediatamente encaminhadas ao Comitê do Senado que se reúne também nesse mesmo dia. Uma vez que os senadores tenham toda a documentação, devem decidir como o assunto será tratado e estabelecer prazos.

Plenário do Senado e Sessão de Controle - Terça-feira, 24, e quarta-feira, 25
Em princípio, a realização da sessão plenária ordinária do Senado está agendada para terça-feira à tarde e quarta-feira — embora o grupo popular já tenha solicitado que essa sessão seja anulada. O Senado deve escolher uma comissão para analisar a aplicação do artigo 155. Essa comissão decidirá o prazo que o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, deve apresentar alegações e nomear um representante que vá ao Senado para defender sua posição.
Enquanto isso, está marcado para terça-feira o aparecimento de Mariano Rajoy na sessão de controle, para responder às questões de partidos políticos do país.
Também pode acontecer que, durante esses dias, o presidente catalão, Carles Puigdemont, dissolva o Parlamento da Catalunha e convoque eleições. Se isso acontecer na terça-feira, a ida às urnas seria 17 de dezembro.

Votação no Senado - Sexta-feira, 27
Após a comissão do Senado se posicionar, contra ou a favor das medidas que o governo propõe, o plenário do Senado fará uma votação final. Essa votação será realizada depois de o assunto ser discutido por grupos de parlamentares e de as alegações de todas as partes serem ouvidas. A votação está prevista para a sexta-feira e fará com que entre em vigor, caso aprovada, a decisão de afastamento do governo catalão e do controle do Parlamento.

Os ministros assumem - Sábado, 28
Se as propostas do governo espanhol forem aprovadas, os ministros estarão prontos para assumir as áreas relacionadas à sua responsabilidade na Catalunha a partir deste dia. A coordenação das tarefas dos ministros será exercida por um número de parlamentares a ser determinado, mas que não terá perfil presidencial, de acordo com fontes governamentais. Junto com a destituição do governo, o porimeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, deverá convocar a realização de eleições na Catalunha, também nos termos do artigo 155 da Constituição, em princípio para janeiro.


Desperdiçou-se a oportunidade’, diz Ricupero

Lucianne Carneiro

Embaixador defende reformas política, previdenciária e tributária para que crescimento do país se torne sustentável

Ex-ministro da Fazenda, o embaixador Rubens Ricupero acredita que o Brasil tem hoje duas imagens no exterior: uma mais positiva, ligada à recuperação da economia, e outra negativa pela corrupção e criminalidade. A despeito do maior dinamismo econômico, ele não vê sustentabilidade do crescimento se não avançarem reformas. Hoje, lança seu livro “A diplomacia na construção do Brasil”, com um debate na Academia Brasileira de Letras (ABL), às 10h, promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Qual é hoje a imagem do Brasil lá fora?
Os empresários e as pessoas ligadas ao mercado financeiro de outros países estão informados de que a economia começa a se recuperar e sair da recessão, tornando-se um destino atrativo. Esse lado é positivo. Mas, para o público em geral, o Brasil tem uma imagem negativa. Para eles, conta mais a corrupção, o aumento da criminalidade e a incapacidade de o sistema político adotar as reformas necessárias. E não se pode dizer que a imagem não corresponda à realidade. A única solução seria o país mudar, aprovar as reformas políticas, o que não ocorreu agora. Desperdiçou-se a oportunidade.

A recuperação da economia que se vê é sustentável?
Sem outras reformas, o crescimento não será sustentável. Pode até animar por dois anos, mas é a história do voo da galinha. Um presidente que se eleja em 2018, mesmo bom, terá dificuldade de fazer algo com as atuais regras. Penso que os mercados, tanto no Brasil quanto lá fora, apostam que as coisas vão melhorar, que haverá um presidente que vai fazer a reforma da Previdência... Mas isso é puramente sonho. Se, no ano que vem, começa a pintar que um sujeito complicado vai ganhar a eleição, tudo vem abaixo: câmbio, ações... Como em 2002.

Quais reformas vê como importantes além da política?
A reforma da Previdência é um caso óbvio. O abono salarial tem pesado muito no Orçamento, a questão de usar o salário mínimo como padrão para os benefícios de prestação continuada também. Tudo isso tem que ser revisto. (...) A reforma tributária também é importante: é preciso ter faixas mais altas de tributação para quem ganha mais, e defendo o fim da isenção do Imposto de Renda sobre os dividendos.

O senhor disse que se desperdiçou a oportunidade da reforma política...
Pouco foi feito, e o que eu lamento é que, naquilo que poderíamos compensar um pouco, como no meio ambiente e nos direitos sociais, a situação está se agravando. Não é um caso isolado, é um padrão, com uma série de medidas — quase todas com origem no setor mais retrógrado da bancada ruralista, que, por seu peso e pela fragilidade do governo, consegue concessões. O projeto de licenciamento ambiental, da forma como saiu da Presidência, liquida o licenciamento como o conhecemos. É o caso das reservas indígenas, que foram paralisadas pelo Ministério da Justiça; é o caso dos quilombos; agora é o caso do trabalho escravo... Antes, uma comissão da Câmara aprovou um projeto que permite deduzir do salário do trabalhador rural sua alimentação. Isso tudo é grave. No caso da política, as reformas não são feitas. Nesse caso, estamos retrocedendo em avanços que tínhamos feito. Tudo era um avanço social, que começamos a perder. Lembra muito o governo (Donald) Trump.

Como avalia o grau de corrupção?
Não acredito que países do tamanho do Brasil e com grau de participação do governo na economia, como China, Rússia, Índia, África do Sul e Paquistão, entre outros, sejam muito melhores que o Brasil em corrupção. Mas nenhum deles tem a combinação que permitiu o aparecimento da Lava-Jato, que é uma imprensa moderna com um setor do Judiciário que teve coragem de levar isso adiante. Isso é uma questão de geração. Os que são de confiança (na Justiça) são os de 30, 40 anos. A geração mais antiga ficou constrangida em seguir esse movimento. (...) Daqui a cinco anos, teremos a comemoração do bicentenário da Independência. No centenário, o ano começou com a Semana de Arte Moderna, teve a fundação do Partido Comunista do Brasil, a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana e a criação do Imposto de Renda. Todos dizem que o Brasil carece de um projeto de nação, e é verdade. Mas um projeto precisa ter metas e prazos. O Brasil poderia adotar um projeto de chegar a setembro de 2022 melhor do que está hoje e, para isso, aprovar uma série de metas, como a ONU fez nas áreas de política, economia, meio ambiente e direitos sociais.

Qual é a principal ideia do livro?
Procurei mostrar nesse livro que a política externa, política interna e economia é tudo a mesma coisa. A divisão é apenas por efeito didático. Enquanto o Brasil não melhorar, a diplomacia não vai poder retomar sua trajetória positiva.

O Globo


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Gigantes estrangeiras, mais royalties e menos Petrobras: o que está em disputa nos novos leilões do pré-sal?

Camilla Veras Mota

Quatro anos depois do primeiro leilão, o pré-sal volta ao mercado. Serão duas rodadas de ofertas de campos de exploração, as primeiras de uma série de nove programadas até 2019. Na próxima sexta-feira, praticamente todas as grandes petroleiras do mundo - 15 no total - participarão da disputa pelos oito blocos em um hotel de luxo no Rio de Janeiro.

O cenário é bem diferente do encontrado em 2013, quando apenas um consórcio, liderado pela Petrobras, apresentou proposta pelo megacampo de Libra.

Algumas mudanças regulatórias do último ano - incluindo flexibilização da lei de 2010 que previa que a estatal brasileira deveria ter participação mínima de 30% na exploração de todos os blocos em operação - ajudam a explicar o interesse maior, mas a principal razão, para especialistas consultados pela BBC Brasil, é a surpreendente produtividade do pré-sal, maior do que se imaginava quando a reserva de 149 mil km² foi descoberta, em 2007.

Dos poços hoje em operação são extraídos até 40 mil barris por dia, contra 15 mil no Golfo do México, diz Adriano Pires, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). A qualidade do óleo também é melhor do que nas demais regiões produtoras do Brasil.

"Os campos offshore da Petrobras demoraram 45 anos para bater a marca de um milhão de barris por dia. Os do pré-sal, menos de dez anos", acrescenta Edmilson Moutinho, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo.

Também para ele, é o desempenho do pré-sal que explica o expressivo interesse estrangeiro pelos leilões, que acontecem em um momento em que todas as grandes empresas se esforçam para cortar custos e evitam se comprometer com investimentos de longo prazo. "E esses são projetos grandes, que envolvem muito capital", pondera.

R$ 100 bilhões
As projeções de impacto da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para os dois certames são superlativas - US$ 36 bilhões (pouco mais de R$ 100 bilhões) em investimentos na próxima década e US$ 130 bilhões (mais de R$ 400 bilhões) em arrecadação de royalties e imposto de renda e de óleo-lucro (o percentual em óleo que as empresas vencedoras têm de dar à União, uma particularidade do modelo do pré-sal).

Na segunda rodada serão leiloados quatro blocos das chamadas áreas unitizáveis, adjacentes a campos já em operação e, por isso, com reservas conhecidas. Três estão na bacia de Santos - que tem a maior parte do território em águas paulistas - e uma, na de Campos - que se espalha principalmente pelo mar do Rio de Janeiro.

A terceira rodada inclui quatro blocos ainda não explorados, também divididos entre as bacias de Santos e Campos.

Especialistas como Luiz Pinguelli Rosa, professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ e presidente da Eletrobras entre 2003 e 2004, são críticos às mudanças que culminaram nesse novo ciclo de exploração do pré-sal.

O relaxamento da regra que previa o uso de um percentual mínimo de conteúdo nacional pelas petroleiras - de fevereiro deste ano -, em sua avaliação, vai gerar um volume grande de importações de maquinário e geração de emprego "em outros países".

Já a menor participação da Petrobras na exploração dos blocos ofertados, para ele, desperdiça um recurso estratégico. "Ela deveria continuar (a explorar o pré-sal) na medida das suas possibilidades. As reservas são do Brasil, não para o mundo", diz ele.

Outros nomes da área, como o engenheiro David Zylbersztajn, que foi o primeiro presidente da ANP, em 1998, avaliam a retomada dos leilões como positiva. Para ele, é uma oportunidade para o país se beneficiar economicamente de suas reservas de petróleo enquanto a commodity ainda é uma matéria-prima largamente utilizada e um preço de referência.
"O século 20 foi o da economia do petróleo. O 21 vai ser o da economia de acabar com o petróleo", ressalta. "Nós estamos quase dez anos atrasados", acrescenta ele, referindo-se à descoberta do pré-sal, em 2007.

A 'segunda chance' do Rio e a vez de São Paulo
Os especialistas são unânimes, entretanto, na avaliação de que os recursos extras dos royalties do petróleo vão aliviar a situação fiscal delicada do Rio de Janeiro.

"Vamos ver se o Rio vai saber aproveitar essa segunda chance", diz Adriano Pires, do CBIE. A previsão da ANP é que os nove leilões previstos até 2019 rendam US$ 8 bilhões (R$ 25 bilhões) ao Estado - o deficit orçamentário previsto pelo governo para 2018 é de R$ 20,3 bilhões.

O eixo de municípios campeões de arrecadação, antes concentrado em cidades como Campos dos Goytacazes, Rio das Ostras e Macaé, será deslocado mais para o sul, ele acrescenta, para localidades como Maricá, Niterói e Saquarema.

O Estado mais beneficiado pelas novas rodadas, contudo, será São Paulo, para onde devem fluir US$ 11 bilhões em royalties, conforme a apresentação feita pelo diretor-geral da ANP, Décio Oddone, ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) em julho.

Além do aumento direto das receitas de Estados e municípios, destaca Zylbersztajn, os novos investimentos vêm com potencial importante de geração de empregos, de posições técnicas a especialistas como geólogos e geofísicos.

A disponibilidade de mão de obra especializada na região, para o secretário-executivo da Associação Regional de Empresas do Setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis na América Latina (Arpel, na sigla em espanhol), Jorge Ciacciarelli, é um dos fatores de atração das grandes empresas estrangeiras que estão concorrendo pelos blocos, ao lado da redução das exigências de conteúdo nacional, o que, diz ele, pode reduzir custos logísticos e de extração.

Partilha x concessão
As vencedoras do leilão serão aquelas que oferecerem o maior excedente em óleo para a União. O regime, dito de partilha e instituído em 2010, é diferente do aplicado para as demais áreas produtoras de petróleo do país, o de concessão - que seleciona as empresas a partir dos valores de bônus que elas oferecem ao governo. No caso das duas rodadas do próximo dia 27, os bônus têm valores fixos e totalizam US$ 7,7 bilhões.

"Um Estado moderno não tem que ser dono de óleo, tem que cobrar imposto", diz Pires, da CBIE, para quem o modelo tem duas desvantagens.
De um lado, ele não estimula a eficiência das empresas produtoras, que podem descontar todos os custos de produção do óleo que será entregue à União.

De outro, o governo tem que esperar "às vezes cinco, seis, sete anos" pelas receitas que arrecada vendendo a commodity - cujo preço, ele ressalta, pode oscilar no médio prazo. Hoje perto de US$ 60 dólares, o barril de petróleo valia mais de US$ 100 quando o pré-sal foi descoberto, há dez anos.

Oddone, presidente da ANP, também prefere o modelo de concessão, que, em sua avaliação, "estimula mais a competitividade e a eficiência". "Mas isso não invalida o regime de partilha", disse ele à BBC Brasil.

Petrobras
Desde novembro do ano passado, depois que a Lei 13.365 foi sancionada pelo Planalto, a Petrobras não precisa atuar como operadora única dos campos do pré-sal, responsável pela condução e execução de todas as atividades previstas no contrato.

Ela tem, entretanto, preferência nos certames - direito que exerceu nos leilões da segunda rodada, no campo de Sapinhoá, e nos da terceira, nos blocos de Peroba e Alto de Cabo Frio Central, nos quais optou por ser operadora com participação de 30%.

Entre as 14 empresas estrangeiras habilitadas para concorrer, a única que ainda não está presente no Brasil é a Petronas, da Malásia. Na lista há ainda a americana ExxonMobil, a espanhola Repsol Sinopec, a Norueguesa Statoil, a britânica Shell, a francesa Total e as chinesas CNOOC e CNODC. Essas quatro últimas estão no consórcio com a Petrobras que venceu em 2013 e que explora o campo de Libra.

"A Petrobras agora só entra no que vê certeza de retorno", afirma Pires, da CBIE. Para Moutinho, da USP, a redução da participação da estatal vai ajudar o Brasil a aproveitar a "janela de oportunidade" que o petróleo ainda oferece ao país. "Mas essa janela é incerta, nós não sabemos o tamanho dela."

Em sua avaliação, o mundo deve continuar dependente da commodity pelo menos pelos próximos 30 ou 40 anos. O preço baixo do barril desacelera o desenvolvimento de energias alternativas, ele pondera, mas diversos países só precisam ter espaço no orçamento para voltar a subsidiar o desenvolvimento de tecnologias de renováveis.

"Além disso, o próprio pré-sal é muito grande - ele pode ser muito maior do que a gente imagina. A exploração exige uma quantidade de capital enorme, que a Petrobras não tem."

BBC Brasil


Maduro mantém poder nos Estados após fraude eleitoral

Editorial

Os resultados das eleições para governador na Venezuela foram previsíveis - os que o governo Nicolás Maduro permitiu que fossem. Ainda que as previsões eleitorais sempre estiveram maculadas pela polarização e sejam pouco confiáveis, as diferenças entre as expectativas de votos da oposição e a votação obtida são grandes demais para isentar os chavistas de graves fraudes. A proibição de que organizações internacionais independentes inspecionassem o pleito fala por si só sobre as intenções do governo.

O contraponto entre a realidade maquiada dos chavistas nas urnas e a situação do país, foi feito às vésperas do pleito, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional. Não há o menor sinal de melhoria no estado terminal da economia venezuelana. O PIB, que deve cair 12% no ano corrente, completará retração de 35% desde 2014. A inflação já beira o incalculável, mas os técnicos do FMI a projetaram em 2.350% em 2018. Há escassez de divisas em um país que importa quase tudo o que consome. As consequências são escassez de bens básicos, como comida e medicamentos, e disparada nos preços dos produtos importados que se consegue encontrar. A fuga para o abastecimento nas fronteiras e a falta de gasolina, mesmo tendo a Venezuela as maiores reservas de petróleo do mundo, são exemplos da gritante inépcia dos chavistas.

Em condições desesperadoras, seria difícil que o governo reunisse o apoio que obteve nas urnas. Nas eleições anteriores, a oposição conseguiu praticamente dois terços de maioria na Assembleia Nacional. Por isso o Congresso venezuelano foi varrido do mapa com o golpe da escolha da Assembleia Constituinte, em julho, na qual o governo atribuiu uma participação quase duas vezes maior do que o número real de votantes - 8 milhões-, após o boicote da oposição.

O governo de Maduro criou uma corrida de obstáculos impossível de ser vencida pelos rivais. Caso a oposição tivesse vencido na maioria dos Estados, como era previsto - ganhando 12 dos 23 Estados -, ainda assim não levaria. Os eleitos teriam de ser aprovados pelos órgãos diretivos da Constituinte, totalmente chavista, e, depois, caso isso ocorresse, prestar juramento diante dela, o que significa que estariam renegando a existência do Congresso, cuja escolha foi a última manifestação mais ou menos democrática permitida oficialmente.

Entretanto, as aparências precisam ser guardadas, mesmo em regimes autoritários, e o governo se cercou de garantias. Ordenou o recadastramento obrigatório dos partidos - todos, menos o Partido Socialista Unificado, governista. Perseguições de um Judiciário atrelado alijaram opositores com cacife eleitoral, como Henrique Capriles, governador de Miranda. Houve redivisão geográfica de distritos com claro viés governista, além de mudanças de zonas eleitorais em cima da hora, que infernizaram a vida de 750 mil eleitores.

As forças de oposição, que cometeram erros crassos de avaliação, como o boicote às eleições do Congresso após a ridícula tentativa fracassada de golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002, resolveram disputar os governos estaduais, após se ausentarem da votação da Constituinte. A participação desta vez foi inócua, e contra os líderes anti-chavistas pesaram, além das fraudes, o desencanto de seus apoiadores, após três meses de manifestações diárias e mais de uma centena de mortes. Há a percepção clara de que o regime chavista tornou-se uma ditadura que não permitirá por vias constitucionais a alternância de poder. Ainda assim, o comparecimento às urnas no domingo foi de 61%.

A forte investida externa não tem sido suficiente para demover Maduro de seus intentos. A inércia do governo diante do desastre econômico que criou é surpreendente. Os únicos movimentos claros dos chavistas são em direção às fontes de financiamento externo, que escasseiam e que hoje se resumem à renitente China e à Rússia, interessada na exploração de petróleo.

A oposição venceu em 5 Estados, mas os eleitos decidiram não fazer o juramento de posse diante da Constituinte, que não reconhecem, e podem não assumir. Diante da aguda escassez, da hiperinflação e da alta criminalidade, combinação que testa os limites do suportável, não parece haver saída para os venezuelanos. A migração é apenas uma válvula de escape de pressões que em algum momento explodirão.

Valor Econômico


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ideologia de gênero

Ithamar Lembo

“A mãe ( ou o pai ) pode levar a filha pra tocar num desconhecido pelado no chão na frente de outros desconhecidos. "Nudez não é pecado", gritam os esclarecidos. "Conservadores", bradam os iluminados. "A mãe tem o direito de educar sua filha como quiser", vociferam os respeitadores da educação alheia.

Mas os pais não podem educar seus filhos numa religião porque isso é um absurdo...

Não podem contar ou ler histórias dos clássicos infantis porque elas reforçam preconceitos, estimulam padrões condenáveis...

Não podem vestir ou pintar o quarto dos filhos homens de azul, nem de rosa se forem filhas, porque isso potencializa esteriótipos...

Não podem impor limites, repreender, castigar, porque isso prejudica o desenvolvimento das crianças...

Não podem falar da importância da família, porque o conceito de família está ultrapassado...

Não podem colocar apelidos carinhosos nos seus filhos, nem demonstrar amor exagerado e jamais superprotegê-los porque isso prejudica a formação da personalidade...

Não podem discordar que seus filhos sejam doutrinados na primeira infância com a tal ideologia de gênero nas escolas...

Não podem olhar computadores e celulares de seus filhos pra saber o que andam fazendo porque isso é invadir a privacidade deles...

Não podem dar bola ou carrinho para seus filhos, nem boneca para suas filhas, muito menos vestir seus filhos como homenzinhos ou suas filhas como princesas, jamais colocar seus filhos no futebol e suas filhas no balé, sequer podem dizer que seu filho é meninO ou sua filha é meninA.

Mas temos que respeitar o direito dos pais de educar seus filhos como quiserem, desde que sigam a cartilha dos militantes, ativistas, moderninhos.”

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Para que servem as elites?

José Aníbal
(*)

No seminário que o Instituto Teotônio Vilela e a Fundação Astrojildo Pereira promoveram no mês passado, o jornalista britânico Adrian Wooldridge encerrou sua palestra sugerindo uma volta ao debate filosófico do qual pensadores ingleses como Thomas Hobbes e John Stuart Mill foram pioneiros: para que serve o Estado, qual o limite de seu poder e como ele pode funcionar melhor em nosso modelo de democracia ocidental?

São perguntas cuja pertinência atravessou quatro séculos e que se mantêm tão relevantes hoje quanto na transição dos regimes absolutistas para as repúblicas ou monarquias parlamentaristas.

São questões que preocupam as nações mais desenvolvidas do mundo no século 21 e que também demandam atenção no Brasil, às voltas com a recuperação de sua economia e com um longo período de instabilidade política e, por vezes, até institucional.

Nesse sentido, cabe acrescentar ao argumento de Wooldridge, colunista da revista The Economist e coautor do instigante livro A Quarta Revolução, qual o papel e o dever das elites política, econômica, intelectual e cultural dos países na disseminação de princípios democráticos, no respeito às instituições republicanas e na defesa do pleno exercício da cidadania.

A história mostrou que o melhor caminho para uma nação próspera, com justiça social, respeito ao direito de ir e vir com segurança e acesso igualitário a serviços de educação e saúde básicos não são as revoluções que, invariavelmente, culminaram em execráveis regimes totalitários.

Tampouco vingou o modelo de laissez-faire em que se pregava a dispensa da ação do Estado, mas foi ao Estado que muitos correram quando foram à falência quando atingidos por crises profundas.
Parece clara, ainda que seja tarefa complexa, a urgência de se rediscutir um melhor equilíbrio do papel do Estado na promoção do bem-estar social e da oferta mais equitativa de oportunidades, assim como no estímulo à eficiência, ao aumento da produtividade e de um mercado competitivo e globalizado.

Num país ainda marcado pelas desigualdades como o Brasil, esse debate torna-se ainda mais fundamental, não só para a construção de perspectivas mais promissoras do ponto de vista econômico e social, mas para a própria sustentação do regime democrático.

Digo isso diante de pesquisas recentes que mostram alta desconfiança dos brasileiros em relação ao funcionamento da democracia e eventual apoio significativo a um governo militar ou não democrático.

Reverter esse quadro é dever dos que ocupam posições de relevo nos três poderes, nas grandes empresas e instituições financeiras, nos veículos de comunicação e nas redes sociais, nos grandes centros de formulação e produção de conhecimento científico, intelectual e cultural.

São esses os formadores da elite no sentido mais seminal da palavra: não como referência a privilegiados, mas como definição de eleitos, de escolhidos em um grupo social por serem os mais valorosos e bem qualificados.

Quando tais ocupantes esquecem esse significado e atuam movidos por interesses próprios, escusos ou alheios ao bem coletivo, fazem mais do que uma mera distorção do conceito original da palavra: condenam o país e a sociedade à desordem e à falta de perspectivas.

A defesa da democracia, do debate público racional, e a superação da demagogia e do populismo não é desafio exclusivo da elite brasileira nem está livre de percalços, como reconheceu ninguém menos do que Barack Obama em sua passagem pelo país. Estão aí Donald Trump e Brexit como exemplos mais eloquentes, e de certa forma a recente crise catalã na Espanha.

Há em comum nesses casos a incapacidade de fazer vencedora a visão economicamente racional, politicamente equilibrada e socialmente sensível às demandas do cidadão comum. Diante de crises e insatisfações, o apelo ao discurso fácil e às promessas que não podem ser cumpridas ou que, se cumpridas, terão graves consequências, é o combustível para a radicalização e para o surgimento de efêmeras bonanças a antecipar longas tempestades.

Assim, é preciso semear confiança nos que querem garantir o sustento de suas famílias e seguem em busca de oportunidades e emprego. Compreender e oferecer soluções reais para o medo da violência que assola a população de grandes, médias e até pequenas cidades.

Defender uma profunda reforma do Estado para que não faltem verbas para saúde, educação, cultura, infraestrutura, nem sejam desperdiçados recursos com privilégios, favores, aposentadorias especiais ou precoces.

Essa é, definitivamente, uma tarefa das elites que deveriam fazer jus à palavra.

Blog do Noblat

(*) Comentário do editor do blog-MBF:  até que um dia uma declaração consciente. No entanto, não basta indicar os males, ou, analisar as conseqüências. Temos que apontar as causas, e debatê-las sem demagogia, populismo, ou aferrado a dogmas e ideologias.
Esta é a parte difícil, pois em pleno século XXI ainda vemos grupos defendendo o comunismo, e/ou o liberalismo clássico, faces da mesma moeda, experiências fracassadas. O comunismo e suas variantes no aspecto econômico e o liberalismo no aspecto social. Um nem pobreza consegue distribuir, e outro concentra cada vez mais a riqueza, mas com a renda per capita tomada pela média.
Um ganha R$ 1 milhão por mês = R$ 1 milhão
Mil ganham R$1 mil por mês = R$ 1 milhão
Renda média = R$ 2 mil por mês.
Beleza não ? E esses mil que ganham hum mil por mês, os liberais ainda querem que eles paguem seus planos de saúde particulares, remédios do próprio bolso, escolas particulares e façam mutirão a noite para defender suas casas hipotecadas, pois a polícia paga pelo Estado é para defender o topo da pirâmide.
Liberalismo experiência fracassada ? Sim, pois se fosse vitoriosa, do comunismo, esse defunto insepulto, não mais ouviríamos falar.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A Justiça e os Juízes brasileiros são maiores do que o STF

Gen  Paulo Chagas

Caros amigos

Nós todos sabemos que o Foro de São Paulo, em seu projeto de dominação do Brasil, teria que fazer 4 coisas:

1. Conquistar o poder Executivo pelo voto dos ignorantes em um líder carismático;
2. comprar o já corrompido poder Legislativo;
3. cooptar as FFAA e
4. aparelhar, ao longo do tempo, o Supremo Tribunal Federal.

As duas primeiras foram facilmente realizadas, a terceira, relativa às FFAA, foi um fracasso e a quarta, como se sabe, era uma questão de tempo.
A sociedade seria facilmente submetida pelo caos provocado pela bancarrota do inviável Estado paquidérmico, onipresente, paternalista e provedor.

O projeto não está dando certo no Brasil, basicamente, por duas razões: A falta de respaldo militar e a antecipação do caos. Foram com muita sede ao pote e quebraram o país antes da hora!

Hoje, temos os três poderes da república desmoralizados, cambaleantes e desnorteados, batendo cabeças como se tivessem nas mãos uma batata quente que tem que ser passada adiante antes que lhes queime as mãos.

O protagonista do presente ato do drama (ou da trama) é o Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte do país, integrada por 11 Ministros "escolhidos" (não "selecionados") por interesses políticos circunstanciais. Desses, apenas 2 são juízes de carreira, ou seja, apenas 2, em algum momento e de alguma forma, exerceram a autoridade judicial antes de assumir a mais alta responsabilidade da estrutura jurídica brasileira. São ministros que vão julgar, em última instância, o trabalho dos Juízes de fato, aqueles que pelo estudo, por concurso e pela prática, adquiriram o conhecimento e a experiência que lhes dão a competência para JULGAR!

Não é por outras razões que, no último dia 11 de outubro, de forma totalmente incoerente com decisões anteriores, eles abriram mão da sua responsabilidade e do seu PODER em benefício dos "interesses circunstanciais" que deram razão à escolha dos seus nomes para integrar aquela Suprema Corte!

A JUSTIÇA BRASILEIRA não é o STF! É muito mais do que isso e eu não acredito que ela possa ser menor que o STF, nem que a operação Lava-Jato seja tão débil, que possa, como já disseram, ser "morta" pelo Supremo!

Tudo tem limites, inclusive a passividade dos brasileiros e dos verdadeiros JUÍZES e demais operadores do direito, achincalhados, tratados como idiotas pelas decisões fisiológicas e contraditórias de "supremos ministros" que, sem qualquer pudor, concedem até Habeas Corpus para condenados em 2ª instância, preparando o precedente que lhes dará condições para cumprir o compromisso que assumiram com quem lhes presenteou a suprema toga!

Eu, como a maioria dos brasileiros, não confio no conjunto dos atuais ministros da Suprema Corte, mas ainda tenho fé na JUSTIÇA brasileira e não aceito a ideia de que ela "já era", como li em um comentário que recebi!

Não concordo! Chegou a hora de a Justiça brasileira e os Juízes de fato reagirem e provarem que são maiores e melhores do que esse Supremo Tribunal Federal, organizado para acabar com ela, com eles e com o Brasil!

Eu acredito que, como em Berlim, ainda haja Juízes no Brasil. E não aceito, passivamente, a possibilidade de que um sistema jurídico integrado por magistrados como Sérgio Moro e tantos outros, seguidamente citados por sua coragem, competência e altivez profissional, "já era", porquanto, se assim for, é porque "nunca foi"!

Isso é inaceitável, porque a Justiça e os Juízes brasileiros são maiores do que esse STF!

A Verdade Sufocada


Um pouco da história do comunismo


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Por que não sou liberal

Olavo de Carvalho

Há muitos motivos para você ser contra o socialismo, mas entre eles há dois que são conflitantes entre si: você tem de escolher. Ou você gosta da liberdade de mercado porque ela promove o Estado de direito, ou gosta do Estado de direito porque ele promove a liberdade de mercado. No primeiro caso, você é um “conservador”; no segundo, é um “liberal”.

Durante algum tempo, você não sente a diferença. Quando a direita é ainda incipiente, nebulosa e sem forma, liberais e conservadores permanecem numa gostosa promiscuidade, fundidos na ojeriza comum ao estatismo esquerdista. Tão logo a luta contra o esquerdismo exige uma definição doutrinal mais precisa, a diferença aparece: ou você fundamenta o Estado de direito numa concepção tradicional da dignidade humana, ou você o reinventa segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes. Nos dois casos você quer a liberdade, mas no primeiro o fundamento dela é “material”, isto é, definido por valores e princípios explícitos, no segundo é “formal”, isto é, definido por uma equação contratual cujo conteúdo está aberto à escolha dos interessados.

Se você é um conservador, você acha que um cidadão não tem o direito de contratar outro para matá-lo (muito menos para matar um terceiro), porque a vida é um dom sagrado que não pode ser negociado. Mas, para o liberal, nada existe de mais sagrado que o direito de comprar e vender – a própria vida inclusive: se você acha que sua vida está um saco e quer contratar um profissional para dar cabo dela, nem o Estado nem a Igreja têm o direito de dar nisso o menor palpite. Já se quem está enchendo o saco é o seu bebê anencéfalo, a sua avó senil ou o seu tio esquizofrênico, eles não têm capacidade contratante, mas você tem: caso tenha também o dinheiro para pagar uma injeção letal e o enfermeiro para aplicá-la, nada poderá impedir que os três chatos sejam retirados do mercado mediante os serviços desse profissional. Curiosamente, não conheço um só liberal que atine com a identidade essencial de contratar um enfermeiro para dar uma injeção nos desgraçados, um pistoleiro para lhes estourar os miolos ou uma motoniveladora para reduzi-los ao estado bidimensional. Quando dizem que consideram a primeira alternativa mais “humana”, não percebem que estão apelando a um argumento conservador e limitando abominavelmente a liberdade de mercado.

O conservadorismo é a arte de expandir e fortalecer a aplicação dos princípios morais e humanitários tradicionais por meio dos recursos formidáveis criados pela economia de mercado. O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários. O conservadorismo é a civilização judaico-cristã elevada à potência da grande economia capitalista consolidada em Estado de direito. O liberalismo é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de direito.

Jornal do Brasil

Indústria: causa do desenvolvimento?

Samuel Pessôa

Um tema recorrente no debate público brasileiro e na academia é a relação entre desenvolvimento econômico e especialização produtiva. Ou seja, um país é rico em função do que produz ou outros fatores são causa tanto do crescimento econômico como da especialização produtiva?

Recentemente meu colega José Luis Oreiro, professor da UnB (UNiversidade de Brasília), circulou um gráfico que indicava elevada correlação –por volta de 40%– entre renda per capita e sofisticação da produção.

Nota-se que a Austrália é um caso à parte: apesar de ser uma economia com baixa complexidade produtiva –segundo a base de dados do gráfico de Oreiro–, apresenta elevada renda per capita.

Será que Austrália é "a exceção que confirma a regra"? Nunca entendi essa expressão. Do ponto de vista lógico, se há uma única exceção, não há regra a ser confirmada.

O que há é confusão entre causalidade e correlação. Temos o famoso caso do biscoito Tostines: fresquinho porque vende muito ou vende muito porque é fresquinho?

O pensamento econômico latino-americano considera que a correlação observada –que está longe de ser tão elevada assim– entre complexidade produtiva e renda per capita significa causa.

Ou seja, políticas para subsidiar investimentos em setores complexos e que, portanto, alterem a especialização produtiva da economia produziriam crescimento.

Programas com a Lei de Informática na década de 1980, o programa de renovação da indústria naval e o programa Inovar-Auto, que subsidia uma indústria nascente há mais de 60 anos, têm como pressuposto essa lógica.
Todos são um rotundo fracasso.

É estranho que as mesmas pessoas que observam causa na correlação entre "complexidade produtiva" e renda per capita nunca enfatizam a correlação entre o desempenho do sistema público de educação dado pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), por exemplo, e o crescimento futuro das economias.

É razoável supor que um sistema de educação de elevada qualidade seja capaz de causar ambos: crescimento econômico e complexidade produtiva. Fato esse que será ainda mais verdadeiro se o país não for muito dotado em recursos naturais –pois, se assim for dotado, como é o caso australiano, haverá outras oportunidades de desenvolvimento econômico.

Adicionalmente, esse fato deve ser ainda mais verdadeiro se o país, além de ter um excelente sistema público de educação e de ser pobre em recursos naturais, possuir um setor público que gaste pouco com seguridade social –sendo, portanto, um país em que a carga tributária é baixa e a poupança das famílias é muito elevada.

Se o leitor lembrou do caso asiático (Japão, Coreia, Taiwan e China) não foi mera coincidência. Muita educação de qualidade –reduzindo o custo do trabalho qualificado– e muita poupança –o que reduz o custo do capital– estão na origem da complexidade produtiva.

Evidentemente, falar de escola e de poupança não é muito charmoso. Mais fácil ficar discutindo longamente sobre complexidade tecnológica e como temos que nos defender da exploração dos países centrais, ou qualquer outra bobagem conspiratória desse tipo.

O maior complexo de vira-lata é achar que o subdesenvolvimento não é responsabilidade nossa, mas sim fruto de algum mecanismo perverso de exploração das nações ricas.

Folha de São Paulo

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

CHEGA DE ENROLAÇÃO, GABAS. QUEREMOS A PALESTRA DO ROLEX

Perito.Med

O ex-Comissário e ex-croque da Previdência, Carlos Gabas, após conseguir seu refúgio no Senado Federal e após cumprir a suspensão por condenação no PAD da Aposentadoria irregular da Presidanta Dilma, voltou a dar palestras país afora sobre a "reforma da previdência"

Deixa de enrolação, Gabas! Ninguém quer saber disso. O que os servidores querem aprender é como que um técnico do seguro social, com seu salário acrescido apenas de penduricalhos dos cargos ocupados conseguiu, em tão pouco tempo, comprar tantos relógios Rolex, canetas Mont Blanc e carros Mercedes Benz como os apreendidos pela Polícia Federal além de pagar uma das mais caras faculdades de medicina do país para a prole, casar filhos no Caribe em resort 6 estrelas e morar de aluguel no metro quadrado mais caro de Brasília.

Essa é a palestra que queremos, Gabas. Esqueça a reforma. Nos ensine o segredo, escreva um livro e fique rico, ou mais rico, sei lá...


CCJ do Senado aprova demissão de servidor por insuficiência de desempenho

O Globo
(*)

Desempenho deverá ser avaliado anualmente por uma banca julgadora. Matéria ainda passará por três comissões

BRASÍLIA - Por nove votos a favor e quatro contrários, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira regras para a demissão de servidor público estável por "insuficiência de desempenho", aplicáveis a todos os poderes, nos níveis federal, estadual e municipal. A regulamentação tem por base o substitutivo apresentado pelo relator, senador Lasier Martins (PSD-RS), ao projeto de lei da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE). A matéria ainda passará por três comissões.

De acordo com o texto, o desempenho funcional dos servidores deverá ser apurado anualmente por uma comissão avaliadora e levar em conta, entre outros fatores, a produtividade e a qualidade do serviço. Deve ser garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa.

No texto da senadora Maria do Carmo, a responsabilidade pela avaliação de desempenho seria do chefe imediato de cada servidor. Ao justificar sua opção por transferir a tarefa a uma comissão, Lasier Martins afirmou que nem sempre o chefe imediato é um servidor estável, mas sim um comissionado sem vínculo efetivo com a administração pública.

O relator disse que também pesou na sua decisão temores de entidades representativas dos servidores, expostas em debate na CCJ. Para as entidades, não seria razoável deixar exclusivamente a cargo da chefia imediata uma avaliação que levaria à exoneração de um servidor estável. Segundo ele, uma decisão de tamanha gravidade corre o risco de ser determinada “por simpatias ou antipatias no ambiente de trabalho”.

Quanto à periodicidade das avaliações, Maria do Carmo havia sugerido que ocorressem a cada seis meses. Ao justificar a opção por processos com periodicidade anual, Lasier afirmou que seis meses seria um intervalo de tempo “muito curto” para a realização das avaliações, gerando carga de atividades que nem todos órgãos públicos estariam aptos a cumprir com a necessária eficiência.

Fatores de avaliação
De acordo com o substitutivo, a apuração do desempenho do funcionalismo deverá ser feita entre 1º de maio de um ano e 30 de abril do ano seguinte. Produtividade e qualidade serão os fatores fixos de avaliação, associados a outros cinco fatores variáveis, escolhidos em função das principais atividades exercidas pelo servidor no período. Estão listados, entre outros, “inovação, responsabilidade, capacidade de iniciativa, foco no usuário/cidadão”.

Demissão
A possibilidade de demissão estará configurada, segundo o substitutivo, quando o servidor público estável obtiver conceito N (não atendimento) nas duas últimas avaliações ou não alcançar o conceito P (atendimento parcial) na média tirada nas cinco últimas avaliações. Quem discordar do conceito atribuído ao seu desempenho funcional poderá pedir reconsideração ao setor de recurso humanos dentro de dez dias de sua divulgação. A resposta terá de ser dada no mesmo prazo.

Eficiência
Ao defender sua proposta, Maria do Carmo disse que seu objetivo não é prejudicar os "servidores públicos dedicados", “que honram cotidianamente os vencimentos que recebem e são imprescindíveis para o cumprimento das atribuições estatais”. Disse ser necessário levar em conta que, quando não há a perda do cargo de um agente público negligente, sérias consequências derivam dessa omissão.

“A sociedade se sente lesada, porquanto desembolsa pesados tributos para o correto funcionamento da máquina pública que, por sua vez, não lhe retorna o investimento em bens e serviços. Além disso, a mensagem passada aos servidores responsáveis e que prestam bem o seu papel é de que não vale a pena o esforço, pois aquele funcionário que não trabalha e sobrecarrega os demais jamais será punido”, argumentou.

(*) Comentário do editor do blog-MBF:  é pouco mas é um começo. O Brasil tem 11 milhões de empregados públicos, onde a metade, no mínimo, não tem trabalho.
Ou se paga também aos 14 milhões de desempregados, ou a ninguém que não de direito.

domingo, 15 de outubro de 2017

Social-democracia versus liberalismo

Bolívar Lamounier

Uma falsa oposição, que só a mediocridade do atual debate político permite circular por aí

Só mesmo a mediocridade atual do debate político brasileiro permite compreender que uma questão tão mal posta como a oposição social-democracia x liberalismo circule por aí com tanta desenvoltura, sem ser incomodada.

Dá-se geralmente por assentado que social-democracia é sinônimo de esquerda, como se este segundo conceito esbanjasse clareza, nada mais se requerendo, portanto, para esclarecer o primeiro. Essa discutível premissa está na raiz de outras tantas esquisitices, como tentarei demonstrar adiante.

Sim, é certo – e aqui vou direto ao exemplo relevante – que o Partido Social-Democrata Alemão tem origens marxistas. Mais que uma orientação geral, a filiação ao marxismo chegou mesmo a ser uma cláusula estatutária, removida, como é de conhecimento geral, no congresso de Bad Godesberg de 1959. Dessa circunstância de origem e de outras tupiniquins que lhes fomos agregando decorreram novas confusões, algumas bem presentes na maçaroca ideológica que ora impera em nosso país. Creio ser útil citar duas dessas confusões.

Primeiro, dentro do PSDB, a sinonímia social-democracia = esquerda é o núcleo de uma acendrada disputa entre duas alas, uma variavelmente designada como desenvolvimentista, intervencionista, estatista, etc., e a outra explicitamente mais propensa ao pensamento liberal. Segundo, postula-se (há quem postule!) que PSDB e PT disputam o espaço social-democrático, variavelmente identificado como esquerda, centro-esquerda e até como centro tout court!

Ora, para pôr um pouco de ordem nesse emaranhado penso que precisamos apenas de uma distinção lógica elementar e de umas poucas observações históricas.

A distinção lógica é aquela que tradicionalmente estabelecemos entre fins e meios. Um mesmo fim – ou ideal, ou programa político – pode ser buscado com base em diversos meios, ou instrumentos. Por caminhos alternativos, se preferem, conforme sejam as circunstâncias , os recursos disponíveis, os perfis dos contendores. Também aqui me parece útil ir direto ao exemplo mais relevante: a transformação do marxismo em marxismo-leninismo.

Como ninguém ignora, o fim colimado pelos marxistas até a antevéspera da Revolução Russa era a revolução, a destruição do capitalismo e a instauração da sociedade sem classes. Esse, na terminologia que sugeri, era o ideal, o programa ideológico. E os fins? Estes, de Marx à fundação do Partido Comunista russo, haveriam de ser a mobilização de massas, sob a égide do proletariado, único sujeito legítimo da História. Mas eis que um dia Lenin, ponderando as circunstâncias e os recursos que teria eventualmente ao seu dispor, mandou passar uma borracha em tudo isso. Resolveu que o fim – a sociedade sem classes – estava certo e devia ser considerado imutável, mas o meio estava errado e exigia urgente alteração. O sujeito da revolução não poderia ser uma massa numerosa, amorfa e indisciplinada, mas uma organização pequena, ferreamente disciplinada e adestrada na arte da luta clandestina. Um grupo de revolucionários profissionais, “poucos, mas bons”. Daquele ponto em diante, o sujeito da História passou a ser o partido, que delegaria seus poderes ao plenum, que, por sua vez, os delegaria ao presidium e este ao secretário-geral.

Posso imaginar quantos leitores, impacientes, estão a perguntar o que a minha peroração sobre a Revolução Russa tem que ver com o título deste artigo.

Ora, sabemos todos que a social-democracia pós-Bad Godesberg foi uma construção dos países mais adiantados da Europa, convencidos de que era mais prático realizar o fim a que almejavam no marco das democracias ocidentais, e mais ainda no quadro da recuperação econômica ensejada pela ajuda americana, consubstanciada no Plano Marshall. Naquela prosperidade que subitamente lhes pareceu eterna, os dirigentes social-democratas dos países referidos elaboraram o que o historiador designou como a “narrativa social-democrática”: a eliminação da pobreza e uma progressiva universalização do bem-estar por meio do gasto público. Recordo que essa visão fora já elaborada por Thomas Marshall em seu clássico Democracia, Cidadania e Classe Social, obra de 1951. Nesse trabalho, repensando a evolução histórica da Europa, Marshall argumentou que o essencial era converter aspirações e desejos que já se esboçavam na prática em direitos, ou seja, em pleitos respaldados pelo direito positivo.

Alguém contestará que esse, também no Brasil, é o fim desejado? Não é exatamente esse o ideal ou programa que os constituintes de 1988 consideraram adequado para melhor integrar e pacificar a sociedade brasileira?

O problema, evidentemente, são os meios, e aqui vale a pena ser taxativo: no Brasil, os ideais da social-democracia só podem ser realizados com base em instrumentos que tendem ao liberalismo. Por meio de um novo leninismo, ou cedendo a um intervencionismo rombudo como o posto em prática pela sra. Rousseff, isso certamente não será possível. Os erros de Lula e Dilma foram palmares: escolheram os “campeões” empresariais, mas nem sequer encomendaram tornozeleiras em quantidade suficiente. Eis aqui o trágico, o grotesco equívoco dos soi-disant desenvolvimentistas brasileiros. Não compreendem que estão torcendo o nariz justamente para os instrumentos de que dispomos para repor o País nos trilhos: equilíbrio fiscal, abertura da economia, privatizações, forte investimento estrangeiro na infraestrutura, ênfase no mérito, uma reforma enérgica na administração pública, apoio à pequena e média empresa e, last but not least, uma revolução educacional.

O Estado de S.Paulo


As Profecias de um Cavaleiro Templário

Thoth3126

Pouco se sabe de João de Jerusalém, porém, um Manuscrito do século XIV, encontrado há pouco tempo no Mosteiro de Zagorsk, perto de Moscou, traça um breve perfil desta figura enigmática. Comenta-se ali que João de Jerusalém “era um homem que  “sabia ler e escutar os céus” (e o seu próprio Eu Superior). …

… Ele foi um dos fundadores da Ordem dos Templários. Morreu entre 1119 e 1120. Seu nascimento provável se deu em 1042 e participou da conquista de Jerusalém em 1099, tendo vivido ali por cerca de 20 anos. Foi durante este período que escreveu seu O Livro das Profecias {de novo o mesmo nome, João, para a mesma alma que viu [apesar de cego] e escreveu o Livro do Apocalipse  mil anos antes na Ilha de Patmos…}

Profecias de JOÃO (um Cavaleiro Templário) de Jerusalém, o texto segue um estilo bem característico da época:

“Vejo a imensidão da Terra…. Continentes que Heródoto não mencionou  (as Américas que os Templários descobriram a existência já no século XI) a não ser em seus sonhos se ajuntarão mais além dos bosques que descreve Tácito, no longínquo final dos mares que começam depois das Colunas de Hércules (o Estreito de Gibraltar, saída do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico).

Mil anos terão se passado desde os tempos em que vivemos e todos os feudos em todo o mundo terão se reunido em grandes e vastos impérios (O Mundo globalizado de hoje). Guerras tão numerosas como as malhas de cota dos Cavaleiros da Ordem se entrecruzarão e desfarão reinos e impérios para formar outros ainda maiores. Mil anos terão passado e o homem haverá conquistado o fundo dos mares e a altura dos céus.
Terá adquirido o poder do sol (Bombas atômicas) e acreditará ser Deus, construindo sobre a terra mil Torres de Babel. Então,começará o ano mil que segue ao ano mil” [refere-se ao nosso milênio atual, o século XXI].

Quando começar o ano mil que segue ao ano mil o ouro [dinheiro] estará no sangue; quem estiver no templo encontrará comerciantes; os líderes serão cambistas e usurários. A espada [armas] defenderá a serpente [o império do mal] e todas as cidades serão (como) Sodoma e Gomorra.
O homem terá povoado os céus, a terra e os mares com suas criaturas; ambicionará os poderes de Deus e não conhecerá limites. Mas, tudo se sublevará contra ele (principalmente AS FORÇAS DA NATUREZA); titubeará como um rei bêbado, galopará como um cavaleiro cego e, a golpes de esporas, levará sua montaria para o bosque. No final do caminho estará diante do abismo…

Quando começar o ano mil que segue ao ano mil, Torres de Babel serão construídas em todos os pontos da Terra. Em Roma e em Bizâncio (Atual Istambul, Turquia) os campos se esvaziarão. Já não haverá mais leis para proteger a ninguém, e os bárbaros estarão vivendo nas cidades. Já não haverá pão para todos e os jogos já não serão o bastante (nunca há Pão e Circo suficiente). Então, as pessoas, sem futuro, provocarão grandes incêndios.

Todos tentarão desfrutar de tudo o que puderem. O homem repudiará sua esposa tantas vezes quantas se casar, e a mulher irá por caminhos sombrios tomando para si tudo que lhe apetecer, dando à luz sem pôr o nome do pai. Nenhum mestre guiará a criança e cada um estará só entre os demais. A Tradição se perderá, a lei será esquecida e o homem se tornará selvagem outra vez.

Quando começar o ano mil que segue ao ano mil o pai buscará prazer em sua filha, o homem com outro homem, a mulher com outra mulher, o velho com o menino impúbere, e tudo isso diante dos olhos de todos. Porém, o sangue se tornará impuro, o mal se estenderá de leito em leito e o corpo recolherá todas as podridões do mundo [Sífilis, Aids…]. Os rostos serão consumidos, os membros serão desencarnados e o amor será uma ameaça entre aqueles que apenas se conhecem pela carne.

Quem falar de promessas e de lei não será ouvido, quem pregar a fé do Cristo perderá sua voz no deserto. Mas, em todas as partes se estenderão as águas poderosas das religiões infiéis. Falsos Messias reunirão os homens cegos e o infiel armado será como nunca antes foi. Ele Falará de justiça e de direito e sua fé será de sangue e de fogo, e se vingará das Cruzadas (os muçulmanos atacarão os católicos e protestantes europeus COM A INVASÃO DA EUROPA).

Quando começar o ano mil que segue ao ano mil todos saberão o que acontece em todas as partes do mundo [televisão, internet, celulares, satélites]. Serão vistas crianças cujos ossos estarão marcando a pele, pela fome, com seus olhos cobertos de moscas e caçados como se matam ratos…. [Etiópia, Kosovo, Chechenia, Síria, Faixa de Gaza, África, etc…]

O homem fará comércio de tudo e de todas as coisas. Tudo terá preço e nada mais será dado. Nada mais será sagrado, nem sua vida nem sua alma. As crianças também serão vendidas, e algumas delas servirão de bonecas para desfrute de sua pele jovem, outras serão tratadas como animais servis. A debilidade sagrada da criança bem como seu mistério serão esquecidos e o homem não será outra coisa que a barbárie.

Quando começar o ano mil que segue ao ano mil o olhar e o espírito dos homens já estarão prisioneiros; estarão ébrios e não se darão conta. Tomarão as imagens e os reflexos como sendo a própria verdade. Farão com eles o que se faz com os cordeiros, tirando sua pele e sua lã.

No mundo reinarão soberanos sem fé, governarão multidões ignorantes (estúpidas) e passivas. Esconderão seus rostos e guardarão seus nomes em segredo. Ninguém participará de suas reuniões e assembléias e todos serão verdadeiros escravos mas acreditarão serem homens livres. Só os selvagens [países pobres?] se levantarão mas serão vencidos e queimados vivos.

Quando começar o ano mil que segue ao ano mil TERÁ SURGIDO UMA ORDEM NEGRA E SECRETA (Iluminattis, Nova Ordem Mundial, Sionismo, etc). Sua lei será o ódio, e sua arma, o veneno. Desejará cada vez mais ouro e estenderá seu reino por toda a Terra, e seus servidores estarão unidos entre si pelo beijo de sangue.Os homens justos e os fracos acatarão suas ordens, os poderosos se colocarão a seu serviço e a única lei será a que for ditada nas sombras. O veneno será visto dentro das igrejas e o mundo avançará com esse escorpião debaixo do pé.

“A terra começará a tremer em vários lugares e as cidades (litorâneas) se afundarão nas águas. Tudo que foi construído sem ouvir os conselhos dos sábios será ameaçado e destruído. O lodo inundará os povoados e o solo se abrirá debaixo dos palácios. O homem seguirá obstinado porque o orgulho é a sua loucura. Não escutará as repetidas advertências da (MÃE) terra e o fogo destruirá as novas Romas. Entre escombros acumulados, pobres e bárbaros, apesar dos soldados, saquearão as riquezas abandonadas”.
Quando começar o ano mil que segue ao ano mil O SOL QUEIMARÁ A TERRA , o ar já não será o véu (A ATMOSFERA DA TERRA DEVERÁ SOFRER ALGUM TIPO DE MODIFICAÇÃO) que protege do fogo e a luz e calor ardente queimará a pele e os olhos de todos.

O mar se elevará como água furiosa e as cidades e costas serão inundadas. Continentes inteiros desaparecerão com os homens refugiando-se nas alturas, e esquecendo o ocorrido, iniciarão a reconstrução.
(…) Os animais que Noé embarcou na arca não serão, nesse tempo, mais que bestas transformadas pela mão do homem [clones]. Quem se preocupará com seus sofrimentos vitais? O homem terá feito de cada animal aquilo que bem lhe convier e terá destruído inúmeras espécies. Em que terá se convertido o homem que mudou as leis da vida, tendo feito de um animal vivo um objeto de barro? Será igual a Deus ou será filho do demônio?

Quando começar o ano mil que segue ao ano mil regiões inteiras do mundo serão botins de guerra. Além dos limites romanos e incluindo o antigo território do império os homens da mesma cidade se degolarão. Aqui haverá guerras entre tribos e lá, entre crentes. Os judeus e os filhos de Alah não deixarão de se enfrentar. A terra de Cristo (A Palestina) será o campo de batalha. Mas, os infiéis irão querer defender em todo o mundo a pureza de sua fé e diante deles não haverá mais que dúvidas e poder. Então a morte avançará por todo o mundo como o estandarte dos novos tempos.

(…) Multidões de homens serão excluídas da vida humana. Não terão direitos, teto, alimento. Estarão nus e não terão mais nada para vender a não ser seus corpos. Mas serão expulsos para longe das Torres de Babel da opulência, aonde ouvirão as prédicas da vingança, que os levarão ao ataque às orgulhosas torres. Terá chegado um novo tempo de invasões bárbaras (…).

O despertar de uma nova era
Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil [Início da nova Idade de Ouro], por fim, os homens terão abertos seus olhos e já não mais estarão encerrados em suas cabeças ou em suas cidades. Perceberão que o que atinge a um fere também ao outro. Formarão os homens um corpo único no qual cada um será uma parte ínfima. Juntos, constituirão o coração e haverá uma língua que será falada por todos e assim nascerá um grande ser humano.

(…) Conquistará o céu, criará estrelas no grande mar azul (espaço interestelar) sombrio e navegará nessa nave brilhante como um novo Ulisses, companheiro do sol, rumo a Odisséia Celeste. Também será o soberano da água, construirá grandes cidades aquáticas que se alimentarão dos frutos do mar. Viverá assim o homem em todas as partes e nada lhe será proibido.

Quando chegar plenamente o ano mil depois do ano mil o homem poderá penetrar na profundidade das águas. Seu corpo será novo e será como os peixes. Alguns voarão mais alto que os pássaros como se a pedra nunca caísse. Se comunicarão entre todos pois seu espírito estará aberto para recolher todas as mensagens. Os sonhos serão compartilhados com todos e viverão tanto tempo como o mais velho dos homens, aquele do qual falam os livros sagrados [Matusalém].

(…) Conhecerá o homem o espírito de todas as coisas. A pedra ou a água, o corpo do animal ou olhar do outro. Penetrará nos segredos possuídos pelos deuses antigos… As crianças conhecerão os céus e a terra como ninguém antes deles. O corpo humano será maior e mais hábil e seu espírito abarcará tudo e todas as coisas… Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil o homem não será o único soberano.

A mulher ( a energia da Deusa) empunhará o cetro, e ela será a mestra dos tempos futuros. Tudo que ela pensar dará ao homem que a ouvirá. Ela será a mãe desse ano mil que segue ao ano mil (Resgate do Feminino Divino). Difundirá a terna doçura de mãe depois dos dias do demônio.
Será a beleza depois de feiúra dos tempos bárbaros. O ano mil que segue ao ano mil mudará rapidamente. Se amará e se compartilhará, se sonhará e se dará vida aos sonhos.

Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil o homem (a humanidade) conhecerá um segundo nascimento, o espírito se apoderará das pessoas que conviverão em fraternidade. Então será anunciado o fim dos tempos bárbaros… Será um tempo de um novo vigor da fé depois dos dias negros do início do ano mil que vem depois do ano mil… E a terrá estará em ordem…

Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil os caminhos irão de uma ponta a outra da terra e do céu. Os bosques serão outra vez frondosos, os desertos serão irrigados, as águas se tornarão puras e a terra será como um jardim. O homem velará por todas as coisas, purificará o que contaminou, sentirá que a terra é sua casa, será sábio e pensará no amanhã.

Chegado plenamente o ano mil que segue ao ano mil o homem terá aprendido a repartir e a dar… Os dias amargos de solidão terão ido, os bárbaros terão adquirido o direito de cidadania. Mas isso só virá depois das guerras e dos incêndios. Isso surgirá dos escombros enegrecidos das Torres de Babel…. 

sábado, 14 de outubro de 2017

A REVOLUÇÃO PEDAGÓGICA COMO INSTRUMENTO DE DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA

Rodrigo Constantino

Assunto cada vez mais atual

Fui convidado uma vez mais como palestrante do Fórum da Liberdade, que será realizado segunda e terça que vem em Porto Alegre. Meu painel será sobre educação: quais propostas temos a apresentar para um avanço da qualidade da educação em nosso país?

O tema é de total importância. Afinal, dez de cada dez especialistas apontam a educação como solução para os males nacionais. A questão que surge, automaticamente, é: qual educação? Simplesmente jogar mais recursos públicos no setor, com este modelo atual, não resolve absolutamente nada; ao contrário: pode aprofundar o problema.
Não vejo como falar em educação hoje sem falar na doutrinação ideológica que tomou conta de nossas escolas e universidades. A luta, portanto, é cultural acima de tudo. E não se trata de um fenômeno apenas nacional, mas sim mundial, que assola inclusive os países desenvolvidos.

Um livro que serve como importante alerta a esse perigo é Maquiavel Pedagogo, do francês Pascal Bernardin. O autor afirma, sem rodeios e logo na introdução:

Uma revolução pedagógica baseada nos resultados da pesquisa psicopedagógica está em curso no mundo inteiro. Ela é conduzida por especialistas em Ciências da Educação que, formados todos nos mesmos meios revolucionários, logo dominaram os departamentos de educação de diversas instituições internacionais: Unesco, Conselho da Europa, Comissão de Bruxelas e OCDE.

Trata-se, segundo ele, de uma nova roupagem da velha utopia comunista. O livro conta com aproximadamente metade de seu conteúdo extraído diretamente de material dessas instituições. É repleto de citações que mostram a “novilíngua” dos pedagogos. Segundo Barnardin, estamos diante de técnicas de lavagem cerebral mesmo, como a dissonância cognitiva deliberada para tornar os alvos mais dóceis ao pacote de doutrinação.

Isso faz o poder de estrago ser muito maior, pois o comum dos mortais, “realizando simplesmente seu trabalho, sem qualquer hostilidade particular, pode-se tornar o agente de um processo de destruição terrível”. Os professores acabam acreditando e absorvendo a missão nova, não mais de passar conhecimento objetivo em suas respectivas áreas, mas sim de modificar essencialmente os alunos e sua visão de mundo.

Essa nova abordagem pedagógica usurpa das famílias a principal função de educar, no sentido mais amplo, seus próprios filhos, transferindo tal responsabilidade para o estado, para os professores treinados com base na mesma doutrina. As declarações dos mais influentes “educadores”, muitas contidas em documentos oficiais da Unesco, não deixam muita margem à dúvida.

A ambição moderna da pedagogia social é alterar profundamente os seres humanos, buscar uma “larga e profunda modificação das atitudes sociais em geral”. Os pais, com seus “preconceitos”, especialmente religiosos, representam uma grande barreira a tal missão, e por isso o processo deve incorporar os pais nesta luta por mudança. Todos os esforços dos professores devem estar voltados para acelerar essa “evolução social” e redimir certos “atrasos culturais”.

Esqueçam ensinamentos sólidos com base no conhecimento objetivo, tradicional, e o foco cognitivo da educação. Isso tudo pertence ao passado.

As tarefas assumidas pelos pedagogos modernos são mais “progressistas”, mais abrangentes, mais “nobres”: criar seres humanos mais “conscientes”, mais engajados politicamente, mais “tolerantes” e adeptos do multiculturalismo.

Estamos diante de uma subversão de valores morais em nome da “democratização” do ensino que, na prática, nada mais é do que a socialização das crianças e a coletivização dos espíritos. Tudo isso, claro, com base no conhecimento “científico”, nas experiências pedagógicas e nas teorias sociais. Eis a estratégia, segundo Bernardin:

Portanto, a manobra destinada a modificar os valores articula-se assim: inicialmente, impedir a transmissão, especialmente por meio da família, dos valores tradicionais; face ao caos ético e social daí resultantes, torna-se imperativo o retorno a uma educação ética – controlada pelos Estados e pelas organizações internacionais, e não mais pela família. Pode-se, então, induzir e controlar a modificação dos valores.

Essa é uma campanha cultural globalista, com o objetivo de “inculcar nos alunos uma atitude mundialista, ensinando-lhes principalmente a reconhecer e a evitar os preconceitos culturais e a encarar com tolerância as diferenças étnicas e nacionais”, nas palavras do próprio Documento de referência da Conferência mundial sobre a educação para todos.

A mentalidade coletivista permeia toda essa pedagogia moderna. As “experiências” sociais fora ou dentro da sala de aula se tornam mais importantes do que a cobrança tradicional de conhecimento. Aos alunos deve ser dada a possibilidade de “negociar e de fixar os próprios objetivos”.

O “civismo” dos alunos deve ser avaliado, talvez com mais atenção do que o
conhecimento objetivo. “Nós pega o peixe”, de repente, passa a ser apenas uma forma diferente de se expressar, e não mais equivocada.

Tudo isso, não custa lembrar, não são teorias conspiratórias, mas conclusões feitas com base nas próprias declarações dos principais pedagogos e organizações internacionais. Gente como John Dewey, socialista, Stanley Hall, coletivista autoritário, e Paulo Freire, marxista, ajudou a criar uma legião de discípulos que dominaram a pedagogia em nível mundial.

Dewey, que era furiosamente contrário ao individualismo, rejeitava inclusive a noção de inteligência como algo individual. A inteligência “puramente individual” passa a ser um obstáculo antissocial e reacionário ao “avanço” social, que precisa ser derrubado em nome do progresso. Qual progresso?

Aquele liderado por uma elite educada que guia uma massa de autômatos?
Porque não resta dúvida de que fechar o “acesso à instrução, à verdadeira cultura e à liberdade intelectual e espiritual”, como tal revolução pedagógica efetivamente faz, acaba por condenar um enorme contingente de alunos à escravidão velada, enquanto a elite dos próprios pedagogos goza de imenso poder sobre eles. Chamar isso de educação, eis a maior injúria que pode ser feita àqueles que desejam uma educação verdadeira!

Gazeta do Povo