terça-feira, 12 de dezembro de 2017

“A Revolução dos Fundos de Pensão”

Érica Gorga

Não há transparência suficiente ou debate sério sobre os déficits nos fundos de pensão

No livro A Revolução dos Fundos de Pensão (1995, com original de 1976), Peter Drucker demonstrou que investidores institucionais, especialmente os fundos de pensão, se haviam tornado os grandes proprietários das maiores corporações americanas, fenômeno que chamou de “a revolução despercebida”. De modo pioneiro, Drucker suscitou questões decorrentes do envelhecimento da população para o capitalismo dos EUA, concluindo que o futuro da economia e da sociedade americana dependeria da gestão de fundos de pensão e do sistema de seguridade ou previdência social.

Drucker defendeu a tese de que tais fundos, para bem gerirem os recursos de seus pensionistas investidos em ações de diferentes empresas, não poderiam ser investidores passivos: deveriam demandar voz nas companhias em que investissem – e até ter poder de veto sobre indicações para seus conselheiros ou diretores. Segundo ele, fundos de pensão – por intermédio de seus gestores – “têm responsabilidade de assegurar o desempenho e o resultado nas maiores e mais importantes companhias americanas”, cobrando responsabilidade financeira.

Os fundos de pensão americanos tornaram-se propulsores da boa gestão empresarial. O Sistema de Aposentadoria dos Servidores Públicos da Califórnia (CalPERS), um dos maiores, é mundialmente conhecido por incentivar o ativismo de acionistas, criando princípios globais de governança corporativa que guiam padrões de administração nas companhias em que investe seu bilionário patrimônio ao redor do mundo. O sistema de previdência gerido por fundos de pensão é força motriz da competitividade americana, fornecendo financiamento empresarial por meio de investimentos no mercado acionário ou de capitais.

Criaram-se e desenvolveram-se mecanismos e organizações que monitoram o desempenho das companhias para assegurar os direitos de investidores e boa rentabilidade a fundos de pensão – e a seus pensionistas. Consolidou-se um segmento de mercado especializado que presta serviços de consultoria, assessoria e auditoria contábil, financeira e de governança corporativa. A divisão e a especialização do trabalho nos moldes de Adam Smith é tal que bancas de advocacia que representam fundos de pensão nos processos contra as companhias que os lesaram em fraudes e crimes corporativos, por questões de ética e conflitos de interesses, são completamente separadas e independentes das grandes bancas que defendem as companhias e seus administradores e a elas prestam serviços.
Leis e jurisprudência beneficiando investidores institucionais avançaram.

O Brasil, até o presente, está alheio a tal evolução, apesar da relevância do patrimônio dos fundos de pensão para a economia nacional, que se situa na casa de R$ 1 trilhão, segundo cálculos da CVM, montante bem superior ao orçamento de 2017 para o Regime Geral da Previdência, de R$ 562 bilhões. Não se vê na prática progresso consistente dos fundos de pensão para defender o interesse de seus pensionistas e assim alimentar o crescimento econômico do País.

De acordo com a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), fundos de pensão brasileiros registraram déficit de R$ 70,6 bilhões em 2016. O déficit cresceu de R$ 9 bilhões para R$ 77,8 bilhões de 2012 a 2015, isto é, 700% em apenas quatro anos. Dez fundos concentram 88% do déficit. Os rombos de Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios) somam R$ 30 bilhões (Estado, 24/5 e 1.º/5).

Grande parte das aplicações dos fundos de pensão é concentrada em ações de empresas que se envolveram com corrupção sistêmica revelada pelas Operações Lava Jato e Greenfield. Estima-se que só os ilícitos investigados na Greenfield causaram cerca de R$ 54 bilhões de prejuízos, que afetaram quase 2 milhões de beneficiários dos fundos de pensão (Estado, 18/6). É sintomático, por exemplo, que o Petros tenha investido em negócios do Grupo J&F, controlado pelos irmãos Batista, e o Funcef tenha amargado prejuízos de R$ 17 bilhões na Sete Brasil, investimentos eivados de ilicitudes.

Tais perdas levaram à necessidade de aportes adicionais imediatos pelas empresas e por funcionários, tanto da ativa como aposentados, para evitar o colapso de seus sistemas de previdência complementar. Beneficiários do Petros e a própria Petrobrás começarão a repor perdas com contribuição extra de, no mínimo, R$ 17 bilhões, metade cada. Mais de 84 mil funcionários sofrem descontos e contribuições extras de 20% a 30% do valor de seus benefícios para cobrir o rombo do Postalis.

Não há transparência suficiente ou debate sério sobre quanto dos déficits foram causados por desequilíbrios atuariais decorrentes da longevidade dos beneficiários ou por investimentos mal feitos ou fraudulentos. Não há histórico consistente de ações judiciais dos próprios fundos de pensão para buscar reparação de prejuízos dos pensionistas causados por corrupção. Inexiste cultura de cobrança dos gestores dos fundos pelos deveres fiduciários devidos aos pensionistas. Em vários casos suspeita-se de conluio de gestores dos fundos com administradores de companhias para a perpetração de ilícitos. Já apontei a insuficiência do Direito Penal para solucionar o problema, posto que a reparação financeira dos lesados depende de aparato de ressarcimento cível não desenvolvido no Brasil.

O atual debate nacional sobre a reforma da Previdência é parcial, pois se restringe equivocadamente à parte diretamente gerida pelo Estado, negligenciando os graves problemas do sistema de previdência complementar. Não basta reformar a Previdência oficial, há que pensar na urgente reforma de leis e institutos jurídicos anacrônicos vigentes para proteção de pensionistas do sistema de previdência complementar.

O Estado de S.Paulo


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Morro da Providência: a primeira favela do Brasil

Talita Lopes Cavalcante
(*)

O termo favela inicialmente referia-se, no século XIX, a uma árvore muito comum na Bahia.

O governo havia prometido aos soldados do Rio de Janeiro que estavam na Guerra de Canudos (1895 – 1896) entregar-lhes residências caso saíssem vitoriosos do conflito.

Ao retornarem em 1897 e verem a promessa não ser cumprida, os soldados se apropriaram da região de um morro que passou, a partir daí, a ser chamado de Morro da Providência, em referência à providência tomada pelos soldados.

Depois de renomearem como “Morro da Favela”, em referência à árvore arbustiva nativa da localidade onde ocorreu a vitória contra os rebeldes de Canudos, foi criada a primeira “favela” brasileira. 

A intensificação desse tipo de moradia e da favela do Morro da Providência se deu no início do século XX, durante a gestão do prefeito Francisco Pereira Passos.

Em sua gestão, Pereira Passos colocou em prática o chamado Bota Abaixo, processo responsável pela demolição de centenas de prédios de sobrados nas ruas centrais da cidade para dar lugar à abertura da sua principal avenida: a Avenida Central (atual avenida Rio Branco).

A população pobre que morava nesses velhos casarões, deslocada à força, se fixou nos morros próximos, criando as demais favelas da cidade e aumentando o contingente populacional do Morro da Favela.

No fim do ano de 1910, o morro da Favela era considerado o lugar mais violento do Rio de Janeiro. O nome favela estendeu-se a outros morros e, na década de 1920, as ocupações de colinas com barracos e casebres também passaram a ser conhecidas como favelas.

Museu de Imagens

(*) Comentário do editor do blog-MBF:  continuamos uma Monarquia, com o povo sustentando a Corte parasitária. Apenas, a sucessão não é mais dinástica e sim disputada a foice e martelo entre os cortesãos, nos salões dos inúmeros Palácios.

Esquerda está engasgada com seu próprio veneno

LUIZ FELIPE PONDÉ

A esquerda está engasgada com seu próprio veneno. Anda por aí posando de vestal virgem (a redundância é intencional) com a "perseguição" que começa a sofrer por parte da nova direita.
Coitadinha dela! Sempre tão a favor da liberdade de expressão. Tão sempre disposta ao diálogo e à abertura "para o Outro". Tão distante de práticas de reserva de mercado nas universidades, nas escolas, nas redações, ou entre os agentes culturais.

Até feiras literárias chiques a esquerda sempre quis compartilhar com os que têm o hábito de ler "outros livros".

Tenho mesmo perdido horas imaginando como esses "corações livres" sofrem com a injustiça do mundo. Como não reconhecer que a esquerda sempre foi a favor da liberdade de expressão e que nunca praticou o seu modo de censura, conhecido por "politicamente correto"? A boçalidade da esquerda na sua autopercepção como "pura" pode chocar os não iniciados na mentira moral e política que alimentou grande parte da história da esquerda desde suas origens entre os jacobinos no século 18.

Mas, antes, vamos esclarecer uma coisa: não simpatizo com essa guerrilha cultural. E não simpatizo, basicamente, por dois motivos.

O primeiro porque, quando começamos a pedir censura, o processo toma seu próprio curso e logo chegamos à caça às bruxas e à histeria.

O segundo motivo porque, apesar de a direita americana há anos ter optado por essa prática de embate cultural, não estou certo de que funcione no plano das eleições (não julgo a eleição de Trump um sucesso para os setores mais competentes em política da direita americana).

Enquanto esses setores da nova direita brasileira combatem feministas que se ocupam com temas periféricos no mundo (questão "queer"), o PT pode voltar ao poder em larga escala. A escala do retrocesso no país seria paleolítica.
O preço a pagar pelo retorno do PT custaria 50 anos ao país, no mínimo. O PT e seus associados continuam sendo maioria nas universidades, nas escolas, nas Redações, no Poder Judiciário, no STF e nos aparelhos culturais em geral.

A necessidade de alianças com níveis reacionários da sociedade pode se tornar uma triste realidade.

E aí chegamos ao que pensa, pelo menos em parte, essa nova direita que vai para o embate cultural nesse momento.

E é importante prestarmos atenção ao que está por trás da escolha dessa estratégia.

Voltemos ao meu próprio argumento acima (a um detalhe nele, pelo menos).

Eu disse que a questão "queer" era periférica no mundo.
Continuo a duvidar da importância da guerrilha cultural para evitar um retorno do PT e associados ao poder, mas alguém pode contra-argumentar dizendo que, pelo menos em parte, o combate cultural pode ser um elemento essencial na disputa política pelo poder (a tal da "hegemonia").

Não apenas no sentido de política como eleições, mas sim no de política cultural engajada nas instituições e aparelhos que produzem uma visão de mundo que, a médio prazo, poderá impactar todas as formas de política e de sociedade no país.

Alguém pode perguntar: por que o dinheiro dos impostos, pagos por todos (e que sustentam direta ou indiretamente universidades, escolas, museus, teatros e afins), deve ser utilizado em atividades que não estariam de acordo com grande parte da sociedade brasileira?

E mais: por que essa grande parte não poderia, ou não deveria, se manifestar no sentido de inviabilizar esses gastos?

Lembremos que a truculência praticada por esta nova direita já era praticada pela esquerda no país. O que esta esquerda não esperava era ter que provar do seu próprio veneno.
Quem vem a público atirar pedras nessa nova direita deveria lembrar tudo o que a esquerda faz contra quem não concorda com seus pressupostos acerca da "democracia".

Escolas devem sim ensinar que todos são iguais perante a lei. Mas, por que escolas devem se meter na formação sexual de crianças?

Não seria essa suposta "formação sexual" um modo de um número mínimo de pessoas impor suas teorias a um número enorme de crianças que não tem como reagir à "pregação" ideológico-sexual?

Defesa.Net


domingo, 10 de dezembro de 2017

A Outra Previdência

Stephen Kanitz

Peter Drucker, o guru da administração que possuía uma coluna semanal em mais de 200 jornais americanos, retratou a revolução que a classe de administradores profissionais fizeram nos Estados Unidos em “A Revolução dos Fundos de Pensão”, que eu li em 1978.

“Criamos Fundos de Pensão para nossos funcionários, e administramos esses recursos de forma responsável, investindo esses recursos em bens produtivos, gerando o crescimento fenomenal da indústria americana.”

Nossos Ministros da Fazenda, em vez de lerem Peter Drucker, leram Adam Smith e Karl Marx, e gastaram todas as nossas contribuições previdenciárias para cobrirem despesas correntes do governo.

Não estou me referindo somente a Guido Mantega e Joaquim Levy da Dilma, mas também a Ministros idolatrados como Delfim Netto, Pedro Malan e Maílson da Nóbrega, esses últimos erroneamente considerados de Direita.

Em vez de deixarem um “Fundo para Aposentadorias Futuras” de 24 trilhões de reais, esses senhores gastaram tudo e nos deixaram Zero.
Razão desta crise na Previdência e essa impossibilidade do governo pagar o que eles sumiram.

Blog do Kanitz


09 - FIPS – Fundo de Investimento e Previdência Social

Martim Berto Fuchs

§. A estrutura de funcionamento do FIPS será determinada pelo Poder Constituinte e só a ele cabe modificá-la. O Poder Parlecutivo não tem autonomia para tanto.

1. Conselho de Administração
1.1. Idade mínima: 40 anos,
1.2. Curso superior, no mínimo com Pós-Graduação em Ciências Atuariais.
1.3. Mínimo de 5 anos de prática comprovada em administração de empresas, seja à nível de diretoria ou gerencia,
1.4. Não ser trabalhador público em atividade, seja concursado ou eleito,
1.5. Ser membro da diretoria de algum sindicato.
1.6.Escolha dos 27 membros do Conselho: por eleição dentre os membros das diretorias de todos sindicatos do Brasil.
1.6.1. Em uma primeira eleição escolhe-se 1 pessoa de cada município,
1.6.2. Em uma segunda eleição escolhe-se 1 pessoa de cada mesorregião,
1.6.3. Em uma terceira eleição escolhe-se 1 pessoa de cada estado,
1.6.4. O processo de eleições iniciará logo após a posse dos eleitos para o Poder Parlecutivo.
1.6.5. Todo trabalhador registrado é eleitor, mínimo 18 anos, assim como os aposentados.
1.7. Os Conselheiros terão um mandato de 5 anos,
1.3. O Presidente do Conselho será eleito entre os membros e terá mandato de 01 ano, não podendo ser reeleito durante os 5 anos da vigência dos mandatos.

2. Diretoria-Executiva + o diretor financeiro-administrativo
2.1. Profissionais selecionados e contratados pelo Conselho de Administração, para os 6 + 1 cargos: Presidente, 5 Vices, um para cada área de atuação e mais um Diretor Administrativo-Financeiro.
2.2. Mandatos de 05 anos, renováveis ou não pelo novo Conselho, podendo ser demitidos a qualquer momento,
2.3. Requisitos:
2.3.1. Mínimo de 5 anos de prática comprovada em administração de empresas, seja à nível de diretoria ou gerencia,
2.3.2. Não ser trabalhador público em atividade, seja concursado ou eleito,
2.4. O Presidente e os 5 Vices deverão reunir-se periodicamente com algum dos 14 Ministros (Secretários Nacionais) e pelo menos a metade + 1 dos Deputados daquela Secretaria (Conselheiros Nacional). Seja presencial ou por vídeo conferência.

3. Receitas
Cálculos para se chegar à receita. Percentual sobre o salário de todos trabalhadores com carteira assinada, percentual este pago pelo empregador, tanto nas empresas sociais como no governo. No caso de autônomo, pago por ele mesmo, sobre os mesmos valores. Ver tabela abaixo.

3.1. Valor da aposentadoria será pré-determinado em função do salário, conforme tabela abaixo.

Salário
Aposentadoria
R$ 800,00
R$ 800,00
R$ 1.500,00
R$ 1.275,00
R$ 2.500,00
R$ 1.750,00
R$ 4.000,00
R$ 2.380,00
R$ 4.500,00
R$ 2.475,00
R$ 7.000,00
R$ 2.800,00
R$ 11.000,00
R$ 3.025,00
R$ 18.000,00
R$ 4.050,00
R$ 30.000,00
R$ 5.250,00
R$ 50.000,00
R$ 6.250,00
R$ 80.000,00
R$ 8.000,00
R$ acima
R$ 8.000,00

3.1.2. Cálculo para se chegar ao valor da contribuição
3.1.2.1. Idade mínima para aposentadoria: homem=65 anos/mulher=60 anos.
3.1.2.2.Tempo de contribuição para os cálculos abaixo: 35 anos (420 meses). Pode ser maior ou menor. O benefício será maior ou menor.
3.1.2.3. Benefício/recebimento: pelo espaço de 20 anos (240 meses) após a
aposentadoria. Este tempo pode ser maior ou menor.

Aposentadoria
pré-determinada
Cálculo
Contribuição
Mensal
R$ 800,00
 x 240m ÷ 420m =
R$ 458,00
R$ 1.275,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 729,00
R$ 1.750,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 1.000,00
R$ 2.380,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 1.360,00
R$ 2.475,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 1.415,00
R$ 2.800,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 1.600,00
R$ 3.025,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 1.729,00
R$ 4.050,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 2.315,00
R$ 5.250,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 3.000,00
R$ 6.250,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 3.572,00
R$ 8.000,00
x 240m ÷ 420m =
R$ 4.572,00

3.1.2.4. Portanto:  contribuição sobre o salário

Salário
%
Contribuição
Mensal
Aposentadoria:
x 420m ÷ 240m
R$ 800,00
57,25
R$ 458,00
R$ 801,50
R$ 1.500,00
48,60
R$ 729,00
R$ 1.275,75
R$ 2.500,00
40,00
R$ 1.000,00
R$ 1.750,00
R$ 4.000,00
34,00
R$ 1.360,00
R$ 2.380,00
R$ 4.500,00
31,45
R$ 1.415,00
R$ 2.476,25
R$ 7.000,00
22,85
R$ 1.600,00
R$ 2.800,00
R$ 11.000,00
15,72
R$ 1.729,00
R$ 3.025,75
R$ 18.000,00
12,86
R$ 2.315,00
R$ 4.051,25
R$ 30.000,00
10,00
R$ 3.000,00
R$ 5.250,00
R$ 50.000,00
7,14
R$ 3.572,00
R$ 6.251,00
R$ 80.000,00
5,72
R$ 4.572,00
R$ 8.001,00
Acima
-
R$ 4.572,00
R$ 8.001,00


3.1.2.5. Valor da aposentadoria: portanto, o saldo contabilizado,
quando o trabalhador completar 65/60 anos de idade, será rateado
em 20 anos, mas com 13 parcelas anuais, ou, o saldo será
dividido em 260 parcelas.
1.2.6. Tempo de benefício: normalmente, o saldo não estará zerado
após os 240 meses de benefício. Portanto, o trabalhador continuará
a receber suas parcelas, independente de continuar contribuindo ou
não, pois se trata de um Fundo de Investimentos e deverá continuar rendendo.

Exemplo 1:
1.Trabalhador começando contribuir com carteira assinada aos 20
anos
2. Salário: R$ 2.500,00/mês.
3. 45 anos para contribuir = 540 meses
4. Desempregado por 35 meses, alternados. Contribuição = 505
meses
5. Para efeito de cálculo nos exemplos:
5.1. Inflação = 0%
5.2. Retorno do investimento = 5.0% a.a., sendo 2,5% no
primeiro ano.
6. Bonificação qüinquenal paga pelo FIPS: 05 salários de
bonificação à cada 05 anos trabalhados.
Neste exemplo = R$ 12.500,00.
6.1. O salário que servirá de cálculo para a bonificação será igual à
média dos salários dos últimos 60 meses.

Tabela:
A = saldo contabilizado em R$
B = contribuição anual = neste exemplo R$ 12.000,00
B1 = desempregado por 35 meses, (7 períodos de 5 meses),
quando então sua contribuição será de apenas R$ 7.000,00/ano
C = sub-total
D = rendimentos
E = saldo disponível
F = valor mensal do benefício, caso parasse de contribuir naquele
ano. Saldo disponível dividido por 260 pagamentos (20 anos com 13 parcelas anuais)
B2. = bonificação qüinquenal.
                                                                                                          
Ano
A
B
C
D
E
F
0,00
+
12.000,00
300,00
12.300,00
47,30
12.300,00
+
24.300,00
1.215,00
25.515,00
98,13
25.515,00
+
37.515,00
1.875,75
39.390,75
151,50
39.390,75
B1
46.390,12
2.319,50
48.709,62
187,35
48.709,62
+
60.709,62
3.035,48
63.745,10
245,17
63.745,10
B2
51.245,10

197,09
66.407,35
B1
73.407,35
3.670,36
77.077,76
296,45
128.948,15
B2
116.448,00

447,87
13º
154.213,90
B1
161.213,90
8.060,70
169.274,60
651,00
212.455,33
B2
199.955,23

769,05
19º
271.194,68
B1
278.194,68
13.909,73
292.104,41
1.123,48
319.309,63
B2
306.809,63

1.180,03
22º
334.749,45
B1
341.749,45
17.087,45
358.836,45
1.380,00
455.120,00
B2
442.620,00

1.702,38
28º
513.818,55
B1
520.818,55
26.041,00
546.859,00
2.103,30
628.742,00
B2
616.242,00

2.370,16
32º
659.654,00
B1
666.654,00
33.332,70
699.986,70
2.692,25
850.253,00
B2
837.753,00

3.222,12
40º
1.072.600,00
+
1.084.600,00
54.230,00
1.138.830,00
4.380,11
1.138.830,00
B2
1.126.330,00

4.332,03
45º
1.423.367,00
+
1.435.367,00
71.768,00
1.507.135,00
5.796,67
1.507.135,00
B2
1.494.635,00
1.494.635,00
5.749,59


Aposentadoria = 13 pagamentos por ano de R$ 5.749,59 = R$ 74.731,00
Ano
Saldo inicial
Pgtos/ano
Sub-total
Investimento
Saldo
1.494.635,00
74.731,00
1.419.904,00
70.995,00
1.490.900,00
1.490.900,00
74.731,00
1.416.169,00
70.808,00
1.486.977,00
1.486.977,00
74.731,00
1.412.246,00
70.612,00
1.482.858,00
1.482.858,00
74.731,00
1.408.127,00
70.406,00
1.478.533,00
1.478.533,00
74.731,00
1.403.802,00
70.190,00
1.473.992,00
10º
1.453.441,00
74.731,00
1.378.710,00
68.935,00
1.447.646,00
15º
1.421.418,00
74.731,00
1.346.687,00
67.334,00
1.414.021,00
20°
1.380.546,00
74.731,00
1.305.815,00
65.290,00
1.371.105,00

Exemplo 2:
1.Trabalhador começando contribuir com carteira assinada aos 30
anos
2. Salário: R$ 800,00/mês.
3. 35 anos para contribuir = 420 meses
4. Desempregado por 35 meses, alternados. Contribuição = 385
meses
5. Para efeito de cálculo nos exemplos:
5.1. Inflação = 0%
5.2. Retorno do investimento = 5.0% a.a., sendo 2,5% no
primeiro ano.
6. Bonificação qüinqüenal paga pelo FIPS: 05 salários de
bonificação à cada 05 anos trabalhados.
Neste exemplo = R$ 4.000,00.
6.1. O salário que servirá de cálculo para a bonificação será igual à
média dos salários dos últimos 60 meses.

Tabela:
A = saldo contabilizado em R$
B = contribuição anual = neste exemplo R$ 5.496,00
B1 = desempregado por 35 meses, (7 períodos de 5 meses),
quando então sua contribuição será de apenas R$ 3.206,00/ano
C = sub-total
D = rendimentos
E = saldo disponível
F = valor mensal do benefício, caso parasse de contribuir naquele
ano. Saldo disponível dividido por 260 pagamentos (20 anos com 13 parcelas anuais)
B2. = bonificação qüinqüenal.

Ano
A
B
C
D
E
F
0,00
+
5.496,00
137,00
5.633,00
21,66
22.299,00
+
27.795,00
1.390,00
29.185,00
112,25
29.185,00
B2
25.185,00
96,86
10º
52.835,00
+
58.331,00
2.916,00
61.247,00
235,56
61.247,00
B2
57.247,00
220,18
15º
92.053,00
+
97.550,00
4.877,00
102.427,00
393,95
102.427,00
B2
98.427,00

378,56
20º
141.729,00
+
147.225,00
7.361,00
154.581,00
594,54
154.581,00
B2
150.586,00

579,17
25º
205.260,00
+
210.756,00
10.538,00
221.294,00
851,13
221.294,00
B2
217.294,00

835,74
30º
286.345,00
+
291.841,00
14.592,00
306.433,00
1.178,59
306.433,00
B2
302.433,00
1.163,20
35°
389.957,00
+
395.453,00
19.772,00
415.226,00
1.597,02
415.226,00
B2
411.226,00
411.226,00
1.582,00


Aposentadoria = 13 pagamentos por ano de R$ 1.582,00 = R$ 20.566,00
Ano
Saldo inicial
Pgtos/ano
Sub-total
Investimento
Saldo
411.226,00
20.566,00
390.660,00
19.533,00
410.193,00
410.193,00
20.566,00
386.208,00
19.310,00
405.518,00
10º
399.836,00
20.566,00
379.270,00
18.963,00
398.234,00
15º
390.981,00
20.566,00
370.415,00
18.520,00
388.936,00
20°
379.680,00
20.566,00
359.114,00
17.955,00
377.070,00

4.Receita do FIPS sobre os salários: R$ 892,92 bi/ano
§1. Bonificação anual, antigo 13º salário, está isenta de qualquer contribuição ou imposto.

Trabalhadores
Salário
Contribuição
Receita mensal
50.000.000
R$ 800,00
R$ 458,00
R$ 22,900 bi
25.000.000
R$ 1.500,00
R$ 729,00
R$ 18,225 bi
12.500.000
R$ 2.500,00
R$ 1.000,00
R$ 12,500 bi
6.250.000
R$ 4.500,00
R$ 1.415,00
R$ 8,844 bi
3.125.000
R$ 7.000,00
R$ 1.600,00
R$ 5,000 bi
1.562.500
R$ 11.000,00
R$ 1.729,00
R$ 2,701 bi
781.250
R$ 18.000,00
R$ 2.315,00
R$ 1,808 bi
390.625
R$ 30.000,00
R$ 3.000,00
R$ 1,289 bi
195.313
R$ 50.000,00
R$ 3.572,00
R$ 0,697 bi
97.657
R$ 80.000,00
R$ 4.572,00
R$ 0,446 bi
-
R$ acima
R$ 4.572,00
-
99.902.343
R$ 2.192,76
R$ 744,83
R$ 74,410 bi

Anual =
R$ 892,920 bi
Contribuição média sobre salários para o FIPS = 33,96% 

5. Cabe ao FIPS investir
- Inicialmente apenas no território nacional e em empresas sociais nacionais.
- Os investimentos serão divididos em 5 áreas:

5.1. Agronegócio, Meio Ambiente, Reflorestamento, Reforma Agrária
5.2. Água, Energia e Mineração
5.3. Educação, Infra-Estrutura, Saúde e Segurança
5.4. Habitação e Saneamento Básico
5.5. Empréstimos consignados
5.6. Títulos da dívida pública. Decisão colegiada da Diretoria-Executiva. Não haverá uma Diretoria só para este fim.

6. Despesas
6.1. Aposentadorias
6.2. Seguro-desemprego
6.2.1. Máximo por 42 meses. Acima deste tempo o benefício será descontado do saldo em conta corrente do trabalhador
6.3. Auxílio-doença
6.4. Auxílio-acidente
6.5. Salário-maternidade
6.6. Pensão por invalidez
6.7. Pensão por morte.

Importantíssimo

1.O FIPS será administrado profissionalmente, sem interferência política, caso contrário, sucumbe.

2. A receita do FIPS não pode ser usada pelos governantes do momento.

3. O FIPS será administrado visando apenas investimentos. Não pode especular. Há sim uma linha divisória entre investimento e especulação.

4. Fundamental. As idades para aposentadoria deverão aumentar gradativamente, na mesma proporção da longevidade dos trabalhadores. Não adianta se esquivar a esta realidade.

“Se um país se afunda na armadilha de não autofinanciar seu crescimento, há de endividar-se no estrangeiro e depois se vê acossado por interesses usurários. – Salvador Borrego.”