quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Um negócio lucrativo

Bernardo Mello Franco
(*)

Além de revelar apelidos e valores repassados a políticos de vários partidos, a delação de Cláudio Melo Filho tem uma função didática. O lobista explica, em detalhes, como se compra uma lei ou medida provisória no Congresso.

A aula de corrupção é um capítulo à parte no acordo do ex-diretor da Odebrecht com a Lava Jato. Em 16 páginas, ele conta como a empreiteira subornou parlamentares para aprovar projetos de seu interesse. O relato cita figurões como Renan Calheiros, Romero Jucá, Rodrigo Maia, Eunício Oliveira e Delcídio do Amaral.

O lobista descreve o passo a passo das transações no balcão parlamentar. Em abril de 2013, sua missão era aprovar uma medida provisória que alterava a cobrança de impostos federais sobre a indústria química. O assunto foi negociado com o atual líder do governo no Congresso.

"O senador Romero Jucá, em reunião realizada no seu gabinete, solicitou-me apoio financeiro atrelado à aprovação do texto que interessava à companhia", conta o lobista.

Ele identifica o ex-ministro como "centralizador" e "organizador dos repasses" ao PMDB no Senado. "Jucá sempre deixou claro para mim que, em momentos como o ocorrido aqui de solicitação de vantagem pecuniária, ele também o fazia em nome de Renan Calheiros", afirma.

Nesta terça (20), os repórteres Julio Wiziack e Camila Mattoso informaram que a empreiteira ganhou ao menos R$ 8,4 bilhões com duas MPs citadas na delação. É difícil imaginar um negócio mais lucrativo, considerando que o "investimento" em propinas foi de R$ 16,9 milhões.

As provas entregues à Procuradoria também mostram como Marcelo Odebrecht se envolvia pessoalmente nas negociações. Num e-mail enviado em agosto de 2013, ele demonstra impaciência ao saber que o senador Eunício estava atrasando a tramitação de uma MP de seu interesse. "Que maluquice! O que ele ganha com isto?", pergunta. "O de sempre", responde Melo Filho.

Folha de S. Paulo

(*)Comentário do editor do blog-MBF: vejam como é fácil os corruptos tomarem conta de um país, pois basta comprar os donos dos partidos políticos no Poder. Não mais que meia-dúzia de pessoas sendo alvo de uma investida e o país fica à mercê da bandidagem, seja ela interna ou externa.
A democracia para ser exercida não necessita da participação de partidos políticos. Isto é um engodo.

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